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12/04/2013

Em prol de um município leitor...



A biblioteca pública tem um papel fundamental para exercer. É por meio de suas ações e trabalho que se dá de forma democrática e irrestrita o acesso à leitura e consequentemente ao conheci­mento e informação.
É muito difícil modificar realidades, reverter padrões e quebrar paradigmas, o trabalho precisa ser incansável e diário quando se fala em incentivo a leitura e formação de novos leitores, as duas questões mais importantes em uma biblioteca pública e que não podem nunca, ser deixadas de lado.
Nestes últimos anos tentamos criar diversas situações para favorecer e criar novas realidades aqui. Este é o caminho que pretendemos trilhar com objetivo de tornar a Biblioteca Municipal e a Leitura, questões importantes e valorizadas em nosso município.
Com este objetivo criamos algumas pequenas ações que relatamos abaixo para quem ainda não sabe, poder conhecer nosso trabalho, que é modesto, mas passos importantes na direção do novo caminho que desejamos seguir.



Blog

A BPM Benito Caliman tem este blog onde são inseridas informações em geral sobre a biblioteca e as novidades. Atualmente devido ao trabalho diário da informatização que acarreta uma certa falta de tempo, ele não tem sido muito atualizado, mas os fatos mais importantes estão sempre sendo registrados.



Cartaz


Em 2011 fizemos um cartaz para divulgar a importância da leitura no município. Para confecção contamos com a colaboração de patrocinadores locais. Pessoas conhecidas na cidade (de vários setores) foram convidadas para participar das fotos. O impresso foi encartado na última edição do ano do jornal local, o Folha da Terra.











Facebook

Com objetivo de transmitir informações com mais agilidade e divulgar tudo que está acontecendo, foi criado um perfil no facebook. Nele fazemos divulgações de livros novos, atividades, transmitimos notícias e informações do mundo da leitura em geral.  O link é:

http://www.facebook.com/biblioteca.benitocaliman



Aulas de Xadrez

Uma vez por semana acontece uma aula de xadrez aberta ao público em geral. Atualmente temos 14 participantes.








Marcador de livros

Foram confeccionados marcadores de livros para distribuição entre os leitores. Sempre que um novo cartão de leitor é retirado, ele leva junto um marcador com as informações da biblioteca. Evita o dano ao livro (dobras de páginas) e divulga, endereço, telefone e blog da biblioteca.








Ludoteca

Foram adquiridos 29 jogos de tabuleiro para serem utilizados internamente.  Abalone,Xalingo 18 jogos, Gamão, Damas, Xadrez e Jogo da Velha, Rummikub, Scrabble, Jarmo, Fanorona e Barricade, Cilada e um Puzzle de 1.500 peças.




Projeto Nossa Bibliotequinha – Livros para Bebês

Foram montadas 6 caixas com 55 livros cada uma, para a faixa etária de 0 – 3 anos. As caixas ficam nas escolinhas do município para utilização interna. A cada dois meses as caixas circulam entre as escolas. Todas terão assim, acesso aos 330 livros do acervo.






Projeto “Ler é o melhor remédio”

Foram confeccionados 3 suportes para revistas e os mesmos serão instalados nos postos de saúde com objetivo de disponibilizar para leitura revistas que recebemos eventualmente em duplicata. Este projeto está parado pois dependemos da autorização dos postos para instalar o revisteiro (foto ilustrativa), é necessário uma planta com a localização das instalações elétricas e hidráulicas para evitar danos às instalação com os parafusos.




Concurso Cultural “Corujas de Sucata”

Concurso cultural aberto aos estudantes de toda rede municipal da 5ª série em diante. Os alunos deveriam fazer uma coruja com material de reciclagem tendo como base um CD. Foi criado um edital e o autor da coruja mais bonita escolhida por uma comissão receberia como prêmio uma sessão de cinema (para 3 turmas) e a doação de livros para biblioteca da escola (1º lugar). Foi a primeira experiência neste tipo de concurso e pretendemos repetir.





Livros viajantes (Projeto iniciando)


Seleção de 35 livros dos diversos assuntos, colocados dentro da caixa que será levada a uma determinada empresa (que desejar participar do projeto) e permanecerá por 30 dias para que os funcionários possam pegar os livros emprestados. Para controle é colocada uma ficha onde são marcados os empréstimos e poderá  também ser anotado as sugestões e opiniões dos leitores.





Estatística

Nossos números em 2012.




O futuro

O objetivo maior que temos atualmente é conseguir alterar a parte interna da biblioteca com a aquisição de novas estantes, pois as atuais estão totalmente inseguras e inadequadas, fazer uma nova pintura interna para alegrar o ambiente e criar dois importantes instrumentos de trabalho: o regimento interno e a PDC que permitem trabalhar com o respaldo legal necessário em uma biblioteca. 

Além disso outro elemento de importância vital no que diz respeito à leitura: a criação do PMLL – Plano Municipal do Livro e da Leitura.



Outras ideias...


•  Marketing: Criação de Spots fotográficos (ou post no face) onde cada um dos leitores escolhidos falará uma frase sobre a importância da leitura. Objetivo: incentivo e divulgação da importância do hábito leitura.

  Rede Municipal de Bibliotecas. Objetivo: intercâmbio de informações entre as Bibliotecas do Município e possível capacitação com objetivo de aprimorar todas bibliotecas da rede municipal.

      Campanha “O mais novo leitor (a) Vendanovense”. Será dada uma carteira de leitor (a) para bebês e carta para os pais. Objetivo: oferecer ao mais novo leitor o cartão de leitor da biblioteca, mostrar aos pais que existe uma boa quantidade de livros que ensinam a cuidar do bebê, e que os mesmos já podem ter contato com livros desde pequenos para a construção do hábito da leitura.

      AABP -  Associação Amigos da Biblioteca Pública. Para reunir esforços em prol da Biblioteca Municipal e da leitura.





08/02/2012

Dieta literária: devorando os livros certos




Todo mundo conhece aquele desenho da pirâmide alimentar, que começa com fartura de cereais e massas na base, depois empilha frutas, hortaliças, leite, leguminosas até chegar na pontinha, com consumo limitado de carnes, gorduras, açúcares e doces.

A pirâmide de Maslow é outra dessas figuras geométricas muito famosas, que coloca as necessidades fisiológicas e de segurança na base para só depois pensar em relacionamentos, aceitação social; a auto-realização fica lá no topo, quando tudo já foi resolvido. Pesquisando mais um pouco a gente descobre pirâmides políticas, organizacionais, socioeconômicas e até, veja só, egípcias.

Como se vê, pirâmides são muito didáticas para deixar bem claro o que é fundamental e o que é cereja; também são ótimas para mostrar por onde se começa a construir bases bem estruturadas para qualquer coisa. Pois então. Estava aqui ruminando umas alcachofras e resolvi elaborar uma espécie de pirâmide da leitura. Vamos lá então.


Dietrich Schwanitz, em seu “Cultura geral, tudo o que se deve saber” diz que somente a língua nos distingue dos animais e, mais do que a fala, a escrita é a chave para o domínio de uma língua. Falando, a gente pode descrever coisas e pessoas, mas as ideias precisam ser simples porque acompanhar o desenrolar da argumentação exige muita concentração.

Por meio da escrita, é possível libertar a linguagem da situação concreta (fatos) e torná-la independente do contexto (ideias). Quando a gente fala, a emoção predomina sobre a objetividade; quando escreve ou lê, desenvolve muito mais a capacidade de abstração.

Beleza. Quer dizer que ler serve basicamente para desenvolver a capacidade de abstração, o que não é pouco se a gente analisar onde isso nos leva: compreender a dimensão e o contexto da encrenca que é esse mundão, o que implica em entender pelo menos o básico sobre como as coisas funcionam e como a gente chegou até aqui; esse passo é fundamental se quisermos mudar a realidade (ou mesmo deixá-la exatamente como está, o que exige esforço igual ou maior).


Por isso, penso que a base da pirâmide deveria ser composta por livros de filosofia, onde a gente conheceria o que já se pensou a respeito e em que pé está o debate (isso tem o pomposo nome de estado-da-arte). Poderíamos comparar ideias, analisar posições e situar nosso papel no mundo, assim como a nossa missão.

Poderíamos escolher intencionalmente um comportamento diante da vida com um mínimo de coerência. Filosofia tem a ver com perceber nossa localização no tempo, no espaço e nas ideias. Sem isso, a gente fica vagando por aí sem saber aonde vai e porquê. A religião também pode se prestar a isso, mas para evitar entrar numa fila qualquer não tem jeito: há que se ler e se questionar muito.

Na base deveriam estar também livros de história, que complementam bem a filosofia. Por que certas nações vivem em guerra? Por que alguns povos são mais ricos que outros? Por que a terra é separada em países? Por que falamos português e não mandarim? Coisas básicas e fundamentais para não repetir erros (e votar em certos políticos).

Geografia também seria útil e básico para a gente se orientar. Fico assustada quando conversamos, em postos de gasolina, com motoristas de caminhão que não conseguem entender mapas nem fazem a menor idéia de distâncias ou de pontos cardeais. Eles aprendem o caminho com alguém e o repetem igual a ratinhos de laboratório. Triste, se a gente pensar que o mundo para eles poderia ser tão maior e mais interessante…

Por último, nessa base, penso que seria importante ter noções de ciências (matemática, física, biologia) e de onde partem as linhas de raciocínio para que as coisas façam sentido. Como manter um corpo minimamente saudável se a gente nem sabe direito como ele funciona? Como se virar num mundo sem saber fazer contas?

Conheço pessoas com o segundo grau completo que ainda não captaram o conceito de porcentagem. Muito preocupante.

Acredito que alguém com esse conhecimento de base já deveria ter as ferramentas básicas para evoluir no mundo e partir para os próximos estágios (seria o equivalente a forrar o estômago com cereais, para dar “sustança”).
No meio da pirâmide, eu colocaria a literatura e as artes em geral em proporções bem generosas, pois que, afinal, são elas que nos fazem humanos.

É onde estão os sonhos, as ideias, os cenários reais ou fantásticos. Por meio da literatura podemos viajar, conhecer lugares e viver coisas que nos seriam impraticáveis; conseguimos a proeza de participar e observar ao mesmo tempo; somos capazes de amadurecer e aprender com experiências alheias, verdadeiras ou absurdas. A literatura e as artes tornam possível o impossível, fazendo o mundo ficar absolutamente infinito.

Um pouco mais para cima, no próximo nível, em menor quantidade, penso que poderíamos nos concentrar em livros técnicos, que ajudariam a trabalhar melhor, aprendendo com outros. Certamente, qualquer profissional bem alimentado pelos estágios anteriores teria muito mais repertório para assimilar e aplicar esse conhecimento.

Na última etapa, lá na pontinha, depois de tudo bem mastigado e digerido, ficariam as notícias e atualidades, necessárias para que a gente não se isole do mundo, mas que precisam ser consumidas com comedimento. Notícia em excesso e sem contexto embrutece e anestesia.

É claro que isso é apenas o que eu consideraria como ideal, mas, evidentemente não pratico. Às vezes leio muito mais livros técnicos do que seria saudável e meus conhecimentos de história e filosofia são parcos e insuficientes.

Tem dias até que só leio notícias e bobagens. Mais ou menos como uma dieta desequilibrada, onde a salada fica de lado e a gente se entope de batatas fritas e doces. Obesidade literária, alguém já ouviu falar?

Bom, agora, quem sabe, com a ajuda de uma providencial pirâmide, talvez seja possível priorizar e organizar minha dieta literária.

Se você não concorda com a minha, pode fazer ajustes ou construir a sua própria (como seria um nutricionista literário?); pode ajudar a manter a boa forma dos neurônios…

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

22/11/2011

O borracheiro dos livros


por Galeno Amorim - 21/09/2011

Onde já se viu misturar livros com pneus?! E com graxa, ainda por cima?!? Isso vai dar certo não... Escolado na vida, Seu Joaquim, do alto dos seus 40 anos na profissão, deu o veredicto: não havia a menor chance de aquilo dar certo. 

Era como água e vinho... Seu Joaquim borracheiro só não contava com a teimosia do filho, cabeça dura como o pai. Coração mole como é, acabou fazendo vistas grossas. Quando viu, lá estava ela: era uma estante modesta, com seus setenta e pouco exemplares hermeticamente enfileirados (até parecia que o menino levava mais jeito para trabalhar em biblioteca, não na borracharia, ele pensou).

Mas daí a pouco já eram 600 livros. Com o tempo, chegaram a 3 mil. Hoje em dia, passam, seguramente, de 10 mil obras, dos mais variados gêneros.

A Borrachalioteca de Sabará, uma inusitada experiência na cidade histórica no entorno de Belo Horizonte, começou assim. Tudo muito simples. De forma bem natural. Tal qual, afinal, seu criador, Marcos Túlio, o filho turrão do seu Joaquim Damascena.

Quando tomou a decisão de dar uma mão para o velho pai no pequeno negócio da família, montado num pequeno salão alugado na periferia de Sabará, Marcos só não abriu mão de levar junto seus livros. Nas horas de folga, ele aproveitava para ler. Lia de tudo. E achou que devia compartilhar aquela experiência que tão bem fazia a ele com a vizinhança.

Quem primeiro aderiu foi a meninada da redondeza, mais interessada na sua coleção de gibis. Em seguida, apareceram uns marmanjos. Logo aquela invencionice já era sucesso de público e crítica. A freguesia, a princípio, se espantou. Como assim?! Livros em plena oficina, rodeados por pneus, borrachas e ferramentas?!?

Mas a clientela logo se acostumou. E aprovou! Tanto que muitos acabam aproveitando o tempo de espera, enquanto aguardam que o pneu furado seja devidamente remendado, para... ler um pouco. Isso! Para muitos daqueles clientes apressados e estressados, essa é uma das raras vezes que fazem isso no seu dia a dia: ler um livro!

Mas a maluquice do Marcos também começou a modificar a vida do lugar. A vizinhança da Praça Paula de Souza Lima, em Caieira, bairro que beira o Rio das Velhas, ficou mais sabida. A meninada anda falando com indisfarçável intimidade sobre Thiago de Mello, Drummond e outras figuras ilustres que, até então, não passavam de simples desconhecidos por aquelas paragens.

E vida por ali vai, aos poucos, tomando outros rumos. Foi assim com o próprio Marcos, que ganhou uma bolsa de estudo e foi fazer faculdade. De Letras, é claro: embora não pense em deixar a borracharia do pai, agora quer dar aulas e espalhar por aí, para pessoas que, como ele, vivem nas periferias das cidades brasileiras, essas coisas dos livros, seus autores e suas histórias.

A coisa vem dando tão certo que Marcos Túlio Damascena resolveu abrir ali o Instituto Cultural Aníbal Machado, uma ONG da leitura que já abriu sucursais em outros pontos da vida e no presídio local.

Por que ele faz isso?!

O borracheiro dos livros tem a resposta na ponta da língua:
- Além de dar prazer, a leitura ainda por cima instrui as pessoas... Todo mundo tem que ler!